terça-feira, 18 de agosto de 2009

Marina e Vicente

O Mar inteiro
na barriga
e um peixinho
surfando
a maior de
todas as ondas
da vida
de Marina.
Desaguou
em terra
(firme e forte)
para virar gente.
Vicente

autoconhecimento 2

o ar
traz tanta coisa
que só
respirando
para sentir.
e eu,
que faltava
respirar,
descobri
que ainda
não nasci.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

autoconhecimento

A flor da pele
a epiderme, a derme
e o que vem depois dela. O corpo por dentro, alma, eu infinito.
A casca que descasca tem outra embaixo.
A nova. E ela também vai des.
Descobrir o que tem embaixo.
Embaixo ainda é nova.
E velha: a flor da pele.
Ave fosse, estaria trocando penas
para voar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Re: insônia

20:30 - coloco um filme, mas teço outras tramas. a imagem passa. e só passa. não para.

21:?? - desisto do filme. estou tecendo outras tramas. tecendo dramas. sou terrivelmente feminina

22 e alguma coisa - deveria ter parado por ali, mas por que a gente desata a falar?

são quase 1h e eu já despertei algumas vezes para confundir

devem ser 2h e, como você, "pesco lágrimas e empilho-as embaixo do travesseiro".

elas não vêm e o dia me acorda às 6h.

vou levantar porque não sei calar.

nem aceitar.

segunda-feira, 16 de março de 2009

todo dia repete todo dia diferente quase igual dia de sol dia de chuva sou eu e é você dormindo acordando. sai e só bate a porta e a gente vai se encontrar online. quando eu voltar vai estar tudo no seu lugar eu já tenho o meu do lado de lá do ar. segunda não é dia. quase todo dia é dia. de manhã vai ser bom demorar em acordar e ler as notícias que a gente vai comentar e depois do banho a gente vai enrolar pra separar e prometer voltar já. ou não. se eu chatear é porque tô aprendendo a lidar com a rotina.

quarta-feira, 4 de março de 2009

o velho

o sambar tímido
dos dedos
do motorista
contra minha cólica
de suor frio.
a velhice deve ser
quebradiça,
meus póros
não a imaginam

espera

arrancou com dentes as cutículas enquanto esperava sentada na escada do prédio. suas mãos não são como as das moças de sua época. para ela, cutícula alimenta a espera. mas abre buraco na pele. e sangra. dá pintas de outras escadas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

uma novidade, por favor

uma novidade, por favor
que me conte
e encante
uma nova idade
que me traga
a boa nova
e chegue
a qualquer hora
que eu prometo
não ser pega
de surpresa.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

falta II

vou derrubar as paredes explodir o teto abrir uma janela bem
aqui no meio. cansei de empilhar sonhos e andar de joelhos.

falta


me falta
um sentido
que não esse
obsessivo
de ocupar
um espaço
e criar
um lugar
que não esse
que não
me encontro.


domingo, 16 de novembro de 2008

do que se é feito




















*miró

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

quarto

ah essas quatro paredes que me fecham
que me abrem porta pra mim
agora sou eu e gil aqui
refazendo

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

do ovário

viajei nessa história de ovulação agora:

o

ovo
óvulo

também

ovni


La mujer América Latina

Li outro dia que
América Latina
é uma mulher
ovulando.
Pensei:

espera
com nome
e sobrenome
existe no futuro
falta ao presente
um estar-entre
céu e terra
tão perto
tão longe
promessa tensa
que atrasa
que não
nasce
e chora
dramática

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Me perdoa, Luther?

Eu tenho um sonho, correr o Quênia e shootar Butão
Eu tenho um sonho, dançar labaredas e cuspir carvão
Eu tenho um sonho, dormir agora e acordar em dezembro
Eu tenho um sonho, receber aumento
Eu tenho um sonho, Chicago now
Eu tenho um sonho, vkrasana tomorrow
Eu tenho um sonho, e vocês estão comigo
Eu tenho um sonho que rima com ré
Eu tenho um sonho que não tô com fome
Eu tenho um sonho que é meio sede
Eu tenho um sonho seca, de frente pra tv
Eu tenho um sonho ...e crescer
Eu tenho um sonho que eu não lembro
Eu tenho um sonho que eu te esqueço
Eu tenho um sonho pesadelo
Eu tenho um sonho americano
Eu tenho um sonho angolano
Eu tenho um sonho de morango
Eu tenho um sonho que vou escrever quando acordar
Eu tenho um sonho que a vida vai demorar

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

poema urbano

















































domingo, 2 de novembro de 2008

ardida

ai, meus olhos estão ardendo!
chuva ácida, colírio de wasabi!

assopra pra parar de molhar

,
assopra.

compose

compose
....................... wall
............................ in blank

....................................... black
....................................... cause

......... I read
............. the news

today

vidrada

UM QUADRO NA PAREDE
UMA JANELA PRA LONGE
UM SEGUNDO DE ONTEM
UMA FOTO, UMA TELA
ME LEVA

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

cinco e doze

o dia se demora
quando se está
fora de lugar

me doso de café
só pra apressar

acho que ando
com pressa
falo muito dela

anseio de si
fora daqui

me aconselha assim:
é preciso dosar,
é preciso dosar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Enquanto

Enquanto é quando
acho o que fazer
escrever o quê?
antes tem que ser
quanto faço
quando desfaço
quase nada
tudo ao mesmo tempo
enquanto te deixo
enquanto me deixo
se pegar
no tranco
no trânsito
no trabalho
eu vou suar
o sol
vai soar
meu despertador
vou enrolar
até tocar
de novo
nada de novo
a não ser o verão
enquanto me aqueço
enquanto me gelo
me completo
e crio
esperanças
para o ano novo


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

desprendimento

desprendimento
desprendiment
desprend i ment
desprend me
desprend
desp end
de end

domingo, 19 de outubro de 2008

Um som


UM SOM
EM NÓS
CALA
O QUE
TEMOS
DE NÓ (S)


(da resolução de conflitos)

Analogias IV


teu riso
ria o rio
que passava
na casa
de manoel

Analogias III













O VÔO DA AVE

AVOOU
MINHA VOZ

Analogias II

Fome de presença
é o vazio que
cola: estômago
ao coração

Analogias

Tamarindo que dá em pedra
é o mesmo que:
água doce que dá no céu

sábado, 18 de outubro de 2008

Escapulário















Colo teu rosto
santo
enquadrado
protetor

carrego
pescoço em cor
te espelho
mundo fora
te reflexo
mundo dentro

Laboratório II















Luz
exposura
dura para
negativo -
breu de prata

escrita química

química escrita

cegueira

que
se enxerga

Laboratório















à poesia
revelador
à impressão
fixador
à imagem
banho de
água fria

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Areia















Quente
pelando
assobiando

movediça
fina
que gruda

branca
preta
entra na unha

dura
fofa
duna
monte

enche biquini
coça cabeça
machuca com vento

castelo
banco
travesseiro

ancora
deita e rola

milanesa
esconderijo
fundo de mar

buraco
chegada
um lugar

perto
ou longe

te faço esta ode

terça-feira, 14 de outubro de 2008

das horas

É na hora de dormir que ela vem
- a palavra
nem sempre sã
uma febre terçã
tece em verso
reza 1/3, um quarto
de sonho
me veste
e delira
me cobre
poesia

mãe e filha

separa duas
vê se pára!
essa orquestra tá desafinada
se até aqui fomos feitas de mesma massa
agora somos óleo e água
chantagia que eu te desfoco
ruge que eu nado proutros lados
não nasceste mãe como eu nasci filha
a mim cabe escancarar-te a rima
senão você pensa que é divino
esconder-se em abrigos
com paredes de umbigos
meu deus quem sou eu para dizer
e eu nem sei a mãe que vou ser
mas é tão lúcido o que se passa,
equação dilacerada
natural desta vida torta
que nos impõe sair pela porta
enfadonha miscigenação
aceito com satisfação
colocaste-me aqui
para crescer miniatura
e virar a maca Criatura
mesmo que no fim
te queira sempre em mim.

domingo, 12 de outubro de 2008

Senhora

aqui estou novamente
em meu berço preferido
arrancando com cuidado
pele dos lábios
descamando cutícula
futucando ferida
inventando razões
sorteando anfitriões
dormi acordada
na vigília
dos pensamentos amargos
aceitei sem hesitar minha sentença
e embarquei no primeiro apito
o primeiro ato de uma
navelouca rede moinho.
veneno que paralisa
é medo correndo solto
antídoto fracasso.
visgo de sapo, poça de piche
é tudo buraco negro.
soterra no caos das vaidades
de aforismos jurados de verdade
falsa modéstia vertiginosa
arranha até queimar minha voz
por ora não vou te mandar embora
estás convidada a ficar,
tristeza senhora.

15 de outubro de 2007

video

no último aniversário da vovó, eu estava viajando

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nós

Nós seremos um par
seremos um lugar
uma vida pra cuidar

seremos uma festa
feliz de acordar
fácil de amar

seremos sinceros em soltar
e na saudade de grudar

pra acordar de novo

e ainda no outro dia

seremos

como já somos

terça-feira, 7 de outubro de 2008

mmHg




















Minha pressão tá 7 por 5. Ando viciada em medir pressão. é que preciso achar. Meu pulso anda perdido. (Ainda) preciso ver pra entender. Me engulo. Deslizo por esôfago e caio no estômago. Corro por entre fígado e pâncreas. Converso com os pulmões. Nado em veias dormentes, latejo na cabeça quente. Sou sinapses como vagalumes. Tenho carne! Nervos, ossos e músculos. Tudo funcionando como fábrica. Mas onde está o botão da potência? Oi! Alguém? De peito, mergulho no coração. Descubro que ele é vasto e pode-se até deitar. Deito. Estico. King size. Flutuo feito Barbarella. Me esqueço.
.
.
.
Com voz de caverna, me acorda. Ele diz que também rastreia os passos do que lhe move. E me sorri inebriante ao encontrar. Eu inteira. Ali dentro.

Festa de Despedida

domingo, 5 de outubro de 2008

feminino

para menta e amêndoa

caminhos em passos largos
mais velozes que calendário
movimento gera...
movimento.
física pura, comenta.
inércia é a de quem rodopia na mesmice tenta.dor.a
mas vale o mito castrado
masculino fraco
pra ver
o dia amanhecer

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

três passos















cru
cria
crê

terça-feira, 30 de setembro de 2008

desenredo em conta-gotas
















perdoe-se.
aceita sua condição deserta inóspita para honrar regar as plantas em conta-gotas. nó desenrola-se às lágrimas em rolo de lã aumentado, na torção de braços e pernas em preparação para o desequilíbrio. valoriza o desequilíbrio como momento de loucura - desvia. e aguenta em tronco. desabará como que por serra elétrica: a reprovação é força de vontade rasgada. cíclica no eterno retorno desatado em sina. a condição de ser o que se é e o desespero de enxergar-se de fora com olhos de consciência alheia, escamoteada em enredo com princípio, meio e fim. "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

foto: fernando de noronha, 2006

sábado, 27 de setembro de 2008

à cubana

video

El alma lúgrube grita:
"!Mujer, maldita mujer!"
!No sé yo quién pueda ser
entre las dos la maldita!


poema: josé martí, 1891
vídeo: havana, 2007

terça-feira, 23 de setembro de 2008

seguidora de Pollock em peregrinação a Macondo















vai!
corre e destrói
mas não olha atrás
há um rastro de raiva sorrindo
prestes a nascer

na tela

claire na hora de almoço

Deus sabe o que faz quando traz a primavera

domingo, 21 de setembro de 2008

amarga ri da















criança, sonhei que tinha margaridas na barriga. brotavam de terra sobre estômago. eram muitas e brancas e ainda hoje me arrepiam os braços.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

arnaldo: próxima faixa
















Eu sei que a gente ia ser feliz juntinho
Pra todo dia dividir carinho
Tenho certeza de que daria certo
Eu e você, você e eu por perto

Eu só queria ter o nosso cantinho
Meu corpo junto ao seu mais um pouquinho
Tenho certeza de que daria certo
Nós dois sozinhos num lugar deserto

Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, por favor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom como já é

Eu sei que eu ia te fazer feliz
Dos pés até a ponta do nariz
Da beira da orelha ao fim do mundo
Sugando o sangue de cada segundo

Te dou um filho, te componho um hino
O que você quiser saber eu ensino
Te dou amor enquanto eu te amar
Prometo te deixar quando acabar



música: pedido de casamento
foto: amsterdam / novembro 2007

arnaldo antunes no repeat















Alimenta o fogo
atormenta o mar
arrepia o corpo
joga o ar no ar

leva o barco à vela
levanta os lençóis
entra na janela
leva a minha voz

nuvens de areia
folhas no quintal
canto de sereia
roupas no varal

tudo vem do ven-tudo vem
do ven-tudo vem
do vento vem tu-do vento
vem tu-do vento vem
do vento vem tudo

sacode a cortina
alça os urubus
sai pela narina
canta nos bambus

cabelo embaraça
bate no portão
espalha a fumaça
varre a plantação

lava o pensamento
deixa o som chegar
leva esse momento
traz outro lugar

tudo vem do ven-tudo vem
do ven-tudo vem
do vento vem tu-do vento
vem tu-do vento vem
do vento vem tudo
tudo bem

música: do vento
foto: piraí - rj / janeiro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

a hora da estrela

difícil dizer depois de Clarice



é quase difícil sentir...

ídolo

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

dia sim, dia não

Dia sim, dia não, acordava e regava as plantas. Sentia-se viva naquele ato. Via na simplicidade o inteiro. Entregava-se à casa de areia que erguera sobre a cegueira. Preferiu fechar os olhos a aprender que cada folha tem seu tempo. Mecânica, reconheceu-se vazia quando percebeu do alto que seus vasos sumiam na mata. E que só as palmeiras imperiais chegam perto do céu. Seca, rasgou, furou, amarelou, quebrou...Acordou no dia não e lembrou que graveto é bom para fazer fogueira.

tpm

traz vermelho
traduz tristeza

suga vísceras
inunda veias

engana coração
entope emoção

exala nos póros
engasga o choro

engole seco
cospe alto
aperta o peito
erra o alvo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

cada um no seu triângulo

expandiu cor-de-rosa, vibrou na garganta, ressoou quente nos pés, desabou em risos, escalou a vertebral, dançou bailarina, espelhou choro de criança, se viu menina, mandou embora no mar, pesou escuro, brincou de irmã, dormiu serena, firmou em pedra, plantou um ponto de luz.

amo

não é maior o coração que a alma
nem melhor a presença que a saudade
só te amar é divino, e sentir calma...

e é uma calma tão feita de humildade
que tão mais te soubesse pertencida
menos seria eu eterna em tua vida

adaptado do vinícius
da essência
da chatice
do amor
do medo
da cobrança
da entrega
da perda
do ideal
da utopia


quero acordar despida de meus medos
quero acordar despida de meus julgamentos
de meus sentimentos deixar de ser juiz
vou dormir e acordar feliz
boa noite


outubro / 2007

surto

tem alguém aí?
tô mal, desci caracol de escada até o último andar, o mais baixo
lá, choro, me traio, me mutilo, me machuco
violento
violenta
comigo
tenho uma angústia que não cabe em mim
que é maior que tudo
que é anterior
a priori
uma tristeza que insiste em dar as caras
quando a máscara de poliana cai, sem querer
perde frente à dor
da falta
mais densa que meu corpo
da mentira
mais real que meus atos
sou simulacro
quero ir profundo
mas nado raso
bóio
bóio
bóio
tenho medo de mergulhar
e é o que mais quero
me entregar
ao que há
de mais azul
e verde.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

No metrô

O melhor lugar de Londres pra pensar na vida. Na minha e na dos outros.